“Negociar” seria o verbo mais adequado, mas deve ser abandonado porque carrega a imagem terrível do toma-lá-dá-cá que transforma a política em balcão de “compra e venda” de votos e opinião. E “compra e venda” de votos e opinião é tudo que não se deve fazer em política.
Por isso, é melhor usar o verbo “somar” para designar acordos e entendimentos políticos através dos quais os partidos, reconhecendo afinidades entre eles, associam legitimamente suas forças – bancadas, militantes e eleitores – para disputar eleições, aprovar projetos e defender causas comuns.
Embora somar pareça a operação aritmética com que devem trabalhar os líderes e candidatos, os fatos mostram que a política brasileira sempre prefere as outras operações aritméticas: dividir, subtrair e multiplicar.
Em 1955, Juscelino aplicou a subtração numa manobra decisiva: estimulou os integralistas do PRP a lançar Plínio Salgado, que tirou votos da direita que iriam fatalmente para seu adversário em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. JK teria perdido se a direita tivesse votado em Juarez Távora. Em 1999, a divisão dos grandes partidos, enfraqueceu os candidatos com densidade e elegeu Collor, que não tinha nenhum dos ingredientes políticos para governar — nem base parlamentar, nem ideologia, nem equipe — e soçobrou no impeachment. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso foi eleito, e reeleito, em 1998, pelo efeito multiplicador do Plano Real, que reduziu a inflação, reanimou a economia, valorizou a moeda e lhe deu votos que jamais alcançaria contando apenas com seu partido e sua liderança pessoal.
Os DEMOCRATAS querem ganhar eleições somando partidos e opiniões convergentes sem barganhas e nem toma-lá-dá-cá.
SOMAR não significa acumpliciar-se com a corrupção, negociar a impunidade, ou fechar acordos secretos de “toma-lá-dá-cá”. Significa o entendimento entre partidos que encontram pontos de convergência entre eles ou precisam enfrentar adversários comuns. Promover alianças eleitorais em bases programáticas é obrigação do bom político.
Democracia não combina com isolamento. Impõe composições e aproximações. Além de ser uma imposição da realidade. Sendo um sistema em que prevalece a maioria e que visa aproximar-se do consenso — ou seja, soluções que tenham a concordância de um número cada vez maior de cidadãos — a Democracia torna indispensável a associação de partidos e grupos que tenham projetos poder e se disponham a realizá-los. Isolar-se, afastar-se, fechar-se é uma atitude suicida em política. Mas, este também é o momento que faz a diferença: não é possível conciliação, em nenhuma hipótese, com a corrupção, com preconceito racial ou religioso, com discriminações que violem os direitos humanos.
Naturalmente, além de não envolver contrapartidas degradantes, as alianças eleitorais devem ser celebradas com ampla publicidade e claramente expostas em documentos. Os marqueteiros as desaconselham pois esses compromissos lhes tiram espaços para propagandas mentirosas ou para despistar os eleitores sobre o que acontecerá se seu candidato vencer.
Os padrões morais e éticos, porém, são indispensáveis. Somar, sim; subornar, não. O escândalo do “mensalão” — um dos exemplos mais vergonhosos de “compra” de parlamentares e partidos — apresentou uma listagem completa do que é inaceitável e condenável na formação de bases parlamentares. Na verdade, a própria eleição de Lula, em 2002, resultou de um conjunto de alianças secretas negociadas até mesmo em dinheiro. Um desses acordos de baixo nível foi selado na casa de um deputado em Brasília. Enquanto na alcova o presidente do PT (José Dirceu) barganhava o pedido de R$ 1 milhão do presidente do PL (Waldemar Costa Neto), os candidatos a Presidente, Lula, e a vice, José Alencar aguardavam na sala ao lado o resultado da negociação. Uma história só descoberta dois anos depois e amplamente confirmada quando a contrapartida já fora devidamente quitada. A reeleição em 2006 teve lances ainda piores.
Os DEMOCRATAS querem fazer alianças, sim, mas somando os bons para formar uma “nova maioria”, moderna e respeitável, na política brasileira.
O que propõem o DEMOCRATAS:
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A identidade da legenda — caracterizada por seus princípios, disciplina, propostas e programas — constitui fator essencial para reconhecimento do Partido e qualificação para que participe das disputas nacionais e some adesões às suas propostas e candidatos.
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| 2. |
A eleição de prefeitos e vereadores do Partido define o peso específico da legenda e nada substitui a estatística da capilaridade municipal na avaliação da sua força nacional: o valor do Partido como parcela na soma de uma coligação federal é proporcional aos prefeitos e vereadores que elege. |
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| 3. |
As alianças, coligações e apoios entre partidos devem ser públicos, transparentes, e explicitados em documentos claros — “programas comuns” — que contenham idéias e o tipo de participação nos governos a serem eleitos com o apoio de outro partido. |
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| 4. |
A discussão permanente das idéias e propostas dentro do próprio partido ajudam a abrir oportunidades de cooperação e alianças que viabilizem conquistas eleitorais. |
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| 5. |
Adotar a cordialidade e a lealdade nos confrontos eleitorais, sem acobertar divergências ou reduzir a firmeza das discussões, de acordo com o princípio de que adversários políticos e eleitorais não são inimigos. |
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O isolamento do partido político deve ser considerado um indicador da falta de sintonia social das suas lideranças e provocar imediata e humilde reflexão sobre erros políticos cometidos ou estratégias equivocadas de comunicação. |
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| 7. |
O princípio democrático de que o povo decide — e sua soberania é indiscutível — exige da atividade política respeito à vontade popular e disposição heróica para não só apresentar as melhores propostas de leis e obras, mas capacidade e competência de conquistar votos e apoio. |
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| 8. |
Unir a oposição para formar uma nova maioria eleitoral e parlamentar que renovem a política brasileira. |